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Portoghese europeo e brasiliano
Administrator 24 Agosto 2015 PDF Stampa E-mail

 

Ma, alla fine, il portoghese del Portogallo e quello de Brasile sono davvero così differenti?

Per iniziare a convincere i tanti diffidenti, un buon primo passo è la lettura di questo divertente articolo di Paulo Affonso Grisolli, giornalista brasiliano trasferitosi in Portogallo.

Onde o bumbum é rabinho

(Paulo Affonso Grisolli 28/12/2004)

"Ao sair, queira, por favor, mostrar o seu saco." O aviso enorme está á porta de um bricabraque perto da minha casa. E sempre que o vejo penso na confusão que poderá provocar na cabeça de um brasileiro desprevenido e principalmente convencido de que fala a língua do país. O idioma, de fato é o mesmo. Mas como é diferente! Saco, que no Brasil remete não somente ao receptáculo de papel u pano, mais comprido do que largo, aberto em cima e fechado no fundo e nos lados, mas também, ente outras coisas, ao bolsão anatômico em que estão guardados os testículos de um homem, em Portugal quer dizer simplesmente bolsa, de mulher ou de homem. Que também pode ser mala ou carteira.

Essa é apenas uma das pequenas peças que o idioma pode pregar ao desavisado que chega a Portugal com um sorriso vencedor de quem pensa: "Aqui falam a mesma língua".

Falam. Mas não é tão mesma assim. E atenção para os mal-entendidos.

Não se espante ninguém por ouvir de um exemplar pai de família português que está muito preocupado com o seu puto. Porque ele estará simplesmente a referir-se ao filho. Puto aqui é menino, rapazote, na mais inocente das linguagens. Embora o feminino puta tenha rigorosamente o mesmo significado cá e lá.

Língua do norte

A primeira vez que comprei um paletó em Portugal (que aqui se chama casaco), pareceu-me grosseiro da parte do vendedor prevenir-me que o primeiro modelo que eu experimentava não me caía bem no rabo. Expressão simplesmente generalizada e amável que um português usa para referir-se às nádegas, também chamadas de nalgas. O bumbum das nossas crianças aqui é rabinho.

Há pouco tempo, tendo vindo fazer umas horas de faxina em minha casa, uma senhora brasileira recém-chegada a Lisboa, saída de uma biboca do Espírito Santo, olhou com ar de pânico, sem entender nada, quando minha mulher, portuguesíssima, lhe falou:

– Mostro-lhe depois o sítio em que se guardam os tachos.

Não havia à vista nenhuma daquelas bacias largas e rasas, com alças laterais em asa, normalmente feitas de cobre, a que no Brasil se dá o nome de tacho. E que história seria aquela de guardar tachos em sítio?

Acorri em socorro da compatrícia e explique-lhe: tacho é o nome que aqui se dá à nossa panela; panela é o nosso caldeirão, assim como frigideira é sertã e tampa de panela pode ser texto. E sítio quer dizer lugar. A pequena propriedade rural que chamamos de sítio designa-se aqui por quinta. Herdade é fazenda. E fazenda não é qualquer tipo de tecido, mas especificamente o tecido pesado, para roupa de inverno. Lã de preferência.

Também regionalmente há diferenças de linguagem que são verdadeiras armadilhas para quem chega por aqui falando brasileiro. Morei cinco anos no Porto. E logo que me mudei para Lisboa, julguei estar sendo claro ao perguntar a um amigo se podia indicar-me um pixeleiro. O homem arregalou os olhos, sem entender. E foi preciso explicar muito para que ele compreendesse que o pixeleiro do norte é, em Lisboa, o canalizador, profissional que no Brasil chamamos de bombeiro hidráulico.

"Bué de feia"

Pior foi o carioca que, com o seu jeito debochado, entrou sorridente numa bijuteria e disse à jovem vendedora que esta à procura de um broche. Causou no mínimo um grande embaraço, porque broche é o palavrão que os portugueses usam para designar felação. O nosso broche, mais inocente, aqui é alfinete.

Em Portugal jogador de futebol usa camisola, palavra que equivale mais ou menos à nossa camiseta. E mulher nenhuma vai para a cama de camisola, mas de camisa de dormir. Ao deitar-se, homem e mulher repousarão as cabeças em almofadas e não em travesseiros. No máximo apoiá-las-ão em travesseiras, abreviação de almofadas travesseiras.

E se você tiver ouvidos sensíveis a incorreções gramaticais, prepare-se para sofrer. Porque português não negocia, mas negoceia. Não premia, premeia. Não diz encarregado, mas encarregue. E ultimamente vem consagrando como correta a palavra perca, em lugar de perda.

Quando alguém lhe disser "anda para a minha beira", aproxime-se. Se disser "fique ao pé de mim", permaneça junto a esse alguém. E desapareça imediatamente da sua presença se, irritado ou enraivecido, lhe disser "ora, vá dar uma curva" ou então "desampara-me a loja".

Giro é engraçado. Fixe é bom ou bonito, equivalente ao nosso legal. Mas se você é mulher e alguém chamar-lhe de camafeu, não pense que está sendo elogiada. Camafeu é uma mulher bué de feia.

Quanto a este bué, escapou-me. É africanismo relativamente recente, proveniente de Angola. Quer dizer muito. Incorporou-se à linguagem dos mais jovens e já é português. Português de Portugal. Porque para o comum das pessoas, português do Brasil não é português, é brasileiro.

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italia - brasile l'azione è partita

Rai 1,  22 luglio 2014

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Per rigenerarsi un po'...

Cet amour

Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au milieu de la nuit
Cet amour qui faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blêmir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l’avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C’est le tien
C’est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelle
Et qui n’a pas changé
Aussi vrai qu’une plante
Aussi tremblante qu’un oiseau
Aussi chaude aussi vivant que l’été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort,
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marbre
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi je l’écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s’aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Lá où tu es
Lá où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t’en va pas
Nous qui nous sommes aimés
Nous t’avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n’avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n’importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d’un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.

Jacques Prévert, Paroles, Paris, Gallimard, 1946

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